André Akkari, brasileiro campeão mundial de poker, em Las Vegas (Foto: divulgação)
"Você joga poker? Cuidado, em! Minha tia tem um amigo que era viciado, perdeu até a fazenda no jogo!"
Este é um discurso que os jogadores de poker costumam ouvir bastante. Aquela ideia antiga, de um jogo clandestino disputado numa sala escura, com trapaças e fumaça de cigarro se mantém na cabeça de muita gente. Se você é uma dessas pessoas, recomendo a leitura desse texto para abrir a cabeça. Se não é, aqui está uma boa fonte de argumentos para usar quando ouvir, outra vez, que "um amigo da minha tia perdeu tudo".
No dia 29 de abril de 2010 a Associação Internacional dos Esportes da Mente (IMSA) reconheceu o poker como esporte mental. Desde então, o que por muita gente ainda é considerado jogo de azar passou a ocupar o mesmo lugar do xadrez, por exemplo. O reconhecimento oficial foi o resultado de um crescimento impressionante. Para se ter uma ideia, em 2005 o Brasil contava com cerca de 200 jogadores. Agora, em 2014, são mais de cinco milhões de praticantes. Entre eles, muitos se profissionalizaram e se destacam nos circuitos internacionais.
O paulistano André Akkari (foto) é hoje o maior nome do poker brasileiro. Desde 2005, quando começou sua carreira nos feltros, ele acumula quase 5 milhões de reais em premiações. É jogador profissional, patrocinado pelo maior site de poker do mundo, o Pokerstars, e passa o dia jogando cerca de 15 mesas simultaneamente na internet. Isso quando não está viajando para disputar os grandes torneios. Em 2011, Akkari venceu uma das etapas do campeonato mundial, em Las Vegas. Ele derrotou 2.856 jogadores e ficou com um prêmio de 675 mil dólares, além do bracelete de ouro - símbolo do título, o troféu do poker.
Mas por que esporte mental?
Porque o poker requer estratégia, estudo e cálculo de probabilidades. Está bem longe de ser um jogo de azar. Diversos especialistas analisaram o Texas Hold'em, modalidade mais popular do poker, e chegaram à conclusão: a habilidade do jogador na disputa decide em 88% das vezes. Ou seja, o fator sorte é irrelevante no longo prazo. E é este longo prazo que trará lucratividade a um jogador profissional, por exemplo.
Então eu posso largar a faculdade agora e ficar rico semana que vem, jogando poker?
Não. Se você faz faculdade, provavelmente é porque está se profissionalizando em alguma coisa. Então sabe que, para chegar lá, é necessário muito tempo e estudo. Com o poker é absolutamente igual. Sim, é possível transformar as fichas e as cartas em instrumentos de trabalho e sim, tem gente que fica milionário fazendo isso. Mas é parecido com o futebol. Tem muita gente que joga, poucos que chegam a ser profissionais e os extremamente diferenciados, que são os melhores do mundo e ganham milhões de dólares.
Tá, não vou largar a faculdade, mas quero jogar poker. Não é ilegal no Brasil?
A constituição brasileira proíbe cassinos e jogos de azar. Como o poker não se encaixa em nenhuma dessas categorias, é completamente dentro da lei. E é bem fácil achar onde jogar por aqui. Se você está começando, o ideal é reunir os amigos e jogar em casa mesmo. Depois de pegar o jeito, há diversos clubes de poker que organizam torneios diários e distribuem bons prêmios.
A opção mais cômoda é jogar on-line. O PokerStars, maior site do mundo, abre milhares de torneios todos os dias, em qualquer horário e para os diversos cacifes - de centavos até milhões de dólares.
Lembrando que, antes de qualquer coisa, é bom estudar um pouco. É possível encontrar muito material na internet, além de diversos livros lançados, inclusive por autores brasileiros. A Raise Editora disponibiliza títulos nacionais e também internacionais, traduzidos para o português. Já a TvPokerPro é o melhor site brasileiro se você prefere aprender com vídeo aulas.
Depois disso, é só praticar. Citando a famosa frase utilizada em Las Vegas para dar início às partidas, shuffle up and deal!

Nenhum comentário:
Postar um comentário